Abril de 2026
Eu sei que o amor tem as suas voltas, mas houveram dias em que me senti completamente perdida no meio de tanto desencontro, a tentar perceber zangas que caiam do nada e que nunca fizeram sentido nenhum para mim.
Ficava a olhar para ti e parecias vigiar-me como se eu fosse crédula demais, ingénua demais por não perceber o que era tão obvio. E ironicamente, enquanto te preocupavas com isso, o que me faltava era o teu cuidado. Doeu tanto dar de caras com esse vazio, com essa falta de abrigo que eu não esperava encontrar em ti.
A gente diz que o amor precisa de marés altas e de portos onde se reencontrar, mas como é que se chega a um porto quando o caminho nos deixa à deriva? Uma discussão só tem valor se nos ensinar o caminho de volta um para o outro. Mas quando as zangas são vazias, quando ferem sem razão de ser e nos deixam a falar sozinhos, o que fica não é a vontade de fazer as pazes: é o silêncio pesado de quem já não sabe onde encaixar o coração.
Um amor não pode ser isto, um exercício burocrático de andar à deriva, onde a gente se perde de vista bem antes de conseguir atracar.