É doce este crime de te imaginar inteiro,
pelas pausas que deixas, pelo que não dizes.
É humano o desejo de sentir o teu cheiro
Não sei se és porto, se és vento ou se és chama,
mas gosto da forma como te vais despindo para me vestir e voltares a despir por escrito.
Existe uma audácia mansa em esperar pelo que vais escrever, um frio no peito que a distância não consegue explicar.
Penso que é humano este vício de te querer ler, sentir-te tão perto sem sequer te tocar.
Gosto de ti entre os pontos e as vírgulas do que escreves, da tua falta de pressa em contar-me o que o dia te deu.
Somos dois estranhos a criar raízes num espaço sem corpo que a distância não explica.
E está tudo certo!