Deixar de amar por causa de um trambolhão é como nunca mais olhar para o mar só porque apanhámos uma onda que nos fez dar vários trambolhões
Claro que por mera proteção a tentação é fechar as janelas da alma, erguer muralhas e olhar para todos com desconfiança num decreto de que o coração passou a ter porte de arma. Mas isso seria dar a quem me feriu um poder que ele não merece: o de continuar a ditar as regras da minha vida.
Eu tenho a percepção de que vou viver ainda muitos dias felizes, por isso não aceito que a imperfeição dos outros me obrigue a encolher. Alguém falhou a pontaria, não soube lidar com a minha inteireza? Paciência. O erro pertence-lhe por inteiro, não tenho de carregar o peso da incapacidade alheia nem deixar que um final azedo azede o meu caminho.
Continuo com esta capacidade de saber e querer amar não por falta de memória, mas talvez por excesso de alma. É perceber o quanto me entrego e pensar: Se fui capaz de dar tanto a quem não sabia receber, imagine-se o que serei capaz de fazer quando encontrar alguém à altura..... E quando chegar eu estarei à altura.
Não perdi a minha forma leve de ser, por ter pisado em falso acho que so ajustei o passo e continuo a voar mais serena mais atenta ás coisas bonitas desligada das coisas feias. Porque fechar o coração ao amor por medo de voltar a sofrer é como recusar o verão inteiro só porque caiu uma chuvinha e isso eu não consigo porque sempre percebi que sou feita de amor.
Que venha o próximo vento, o próximo brinde a dois ou sozinha, a próxima gargalhada sem rede. O próximo coração acelerado, o próximo gritar aos quatro ventos o amor.
O nosso brilho não se apaga por falta de luz lá fora... acende-se sempre por tudo o que nos vai cá por dentro.