09/01/2026 às 17:53

Sabe Deus

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Sabe Deus o que me vai no peito, nesta teimosia de te querer assim, onde a meiguice se faz de veludo e a ternura parece não ter fim. É um amor que não se explica, só se sente, entre o toque da seda e a força da corrente.

Gosto desta nossa dança, deste jeito, de nos perdermos num braço de ferro, onde o orgulho fustiga e a alma reclama, e o pulso firme é apenas o que nos inflama. É esse atrito que me acorda o sangue, que faz vibrar cada nervo, cada fibra do ser, numa eletricidade que nos faz sofrer, só para a paz ter mais sabor ao renascer.

Adoro o teu ímpeto, a nossa teimosia, esse embate que nos deixa o corpo em brasa, que nos estica a corda até ao limite do ar... Tudo isso, meu amor, é só para nos levar a esse porto de abrigo onde o cansaço descansa.

Porque depois da tempestade, da voz e do aperto, o meu destino é sempre o teu peito aberto. Acabamos assim: desarmados, rendidos, com o sistema nervoso finalmente em repouso, aninhados no calor um do outro, onde o único braço de ferro que resta é o do teu abraço, que me prende e me faz festa.

Sabe Deus por que te amo... Mas sabe ainda melhor o meu coração, que entre a luta e o beijo, não quer outra vida, senão esta nossa paixão.

09 Jan 2026

Sabe Deus

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