Há encontros que não chegam para mudar a vida,
chegam para lhe tocar de leve.
Chegam como quem não quer nada,
e acabam por acordar tudo.
Um olhar atento, uma palavra certa, um sentir que se reconhece antes mesmo de ser nomeado.
Há momentos em que o coração sente antes da razão.
Mas é a alma, essa parte sábia e antiga de nós, que sussurra quando é tempo de parar.
De dar a conhecer o que tens nas mãos.
Porque avançar nem sempre é coragem.
Às vezes, a verdadeira coragem está em não ir mais longe.
Em perceber que continuar seria retirar a pureza ao que nasceu simples, bonito e inteiro.
Há pessoas que pedem mãos abertas, não mãos que seguram.
Pedem presença sem promessa,
afeto sem posse,
ligação sem necessidade.
O amor feminino sabe disto.
Sabe cuidar sem prender.
Sabe sentir sem exigir.
Sabe honrar sem invadir.
E quando se escolhe ficar no limite
não por medo, mas por respeito
o que fica não é ausência,
é gratidão.
Porque há encontros que não pedem futuro.
Pedem apenas que sejamos verdadeiras enquanto acontecem.
E isso, por si só, já é uma forma bonita de amar.
E está tudo certo!